CNBB: A CRIAÇÃO GEME EM DORES DE PARTO
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Prof. Dr. Valmor Bolan*
A Campanha da Fraternidade de 2011 retoma a questão ambiental com o lema “A Criação geme em dores de parto”, focando, mais uma vez, a atenção para com o cuidado com a terra, nosso habitat natural, e que sofre agressões contínuas, cujas conseqüências são visíveis em desarranjos climáticos e cataclismos (terremotos, maremotos, enchentes, etc.), sinalizando evidentes sinais de resposta de uma natureza agredida, e que já não suporta tantos desequilíbrios. O relato bíblico afirma que o homem deve “dominar” a terra, mas no sentido de “cuidado”, zelo, isto é, deve conhecer a natureza e trabalhar para que ela ofereça as maravilhas do que é capaz, respeitando suas leis próprias, sua dinâmica e seus limites. Este é o desafio de quem tem a incumbência (a responsabiliza) de zelar pela natureza, para que ela não se volte contra nós, e possa então dar o que tem de melhor.
É preciso evitar, no entanto, um excesso ideológico na abordagem ambiental, para não incorrer na tentação de colocar o homem como único vilão da história, e idolatrar a natureza, como faziam os pagãos e os politeístas, na Antiguidade. O ser humano tem a tarefa de “administrar” os bens naturais, mas não tornar a natureza intocável e selvagem. Há um viés ideológico de um ambientalismo radical (na linha defendida por Al Gore), que demoniza a ação do homem, justificada em falsos mitos, dentre eles, o do propalado aquecimento global. Cabe refletir com seriedade tudo o que está ao nosso alcance, pois não há como também demonizar a tecnologia nem aderir facilmente a qualquer possibilidade. As alternativas energéticas, utilizadas com precisão e de modo adequado, dentro de suas especificidades, podem contribuir para um melhor aproveitamento e utilização da energia existente, sem idealismo, mas com um realismo que mantenha o que está comprovado ser imprescindível para o desenvolvimento social e humano. “Dominar” as forças da natureza, não é destruí-la, daí serem válidas as iniciativas que visam preservar a beleza e as potencialidades da natureza.
A tradição bíblica, na realidade, solicita a ação do homem, como ordenador, na busca de um equilíbrio que se faz necessário, e não que seja ele submetido às mesmas forças, como um refém e não como um seu gestor responsável.
Que esta Campanha da Fraternidade seja nova oportunidade para que possamos descobrir novas atitudes em relação ao meio ambiente, para que encontremos soluções criativas e realistas para evitar que continuemos com tantas agressões, e busquemos trabalhar respeitando a natureza, para que ela continue a oferecer tantas dádivas, das quais necessitamos. O lema “A Criação geme em dores de parto”, explicita as dores de uma natureza agredida, mas também traz a esperança do parto de um novo tempo, em que podemos minimizar tal violência, para que haja um maior equilíbrio no uso das forças naturais. Nesse sentido, esta Campanha pode servir para que sociedade civil e o poder público, bem como os religiosos, se unam cada vez mais por um desenvolvimento sustentável, na promoção da vida e do ser humano, de modo integral.
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