Onde está o ícone?
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Se esta frase lhe lembrou outra, você acertou. Estou propositalmente parafraseando-a do livro do ilustrador britânico Martin Handford, criador do famoso “Onde está wolly?” (Where is Wally?) que se tornou uma daquelas tiras de jornal e ficou famoso no mundo inteiro.
Ícone, segundo o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, vem do grego eikon e significa imagem, mas o marketing toma este termo como algo parecido da tradução literal e o emprega para representar: um produto, uma função, uma situação, um estado de ser, um lugar, etc.
A força de um ícone, em nosso cotidiano, tem tamanho poder que alguns deles alcançam cifras de bilhões de qualquer moeda que alguém possa usar para representar seu valor, e outros são venerados como objetos sagrados – pessoas matam e morem por eles. Poderíamos citar algumas centenas deles e você os reconheceria imediatamente e faria uma correlação a alguma coisa, lhe lembraria um lugar, uma situação, algo por fazer, por comprar, e por aí vai. Você, literalmente, o decifraria em um piscar de olhos, mesmo não sabendo quem o criou ou para o que ele serve ou não, mas o importante é que ele lhe diga algo. Mas para isso, aquela imagem foi massacrada em sua cabeça através da exaustiva repetição. Por muitas e muitas vezes ele apareceu através das mídias visuais e ficou gravado em sua retina. Porém, tudo isso tem um preço, seja ele financeiro ou não.
No turismo não é diferente. Os países, as instituições, as muitas empresas das diversas atividades que compreendem a atividade, lançam mão da criatividade de seus “marqueteiros“ para desenvolver algo que as represente e que seja reconhecida por onde quer que ele apareça. Um bom exemplo disso pode ser visto na foto acima quando tratamos de lugares.
Tenho certeza que você, que costuma ou não viajar, assistir a TV, viu as fotos postadas no ORKUT ou FACEBOOK, ou mesmo folheou o álbum de fotografias de um parente ou amigo, reconhece alguns deles. A tira de imagens acima foi copiada diretamente do cabeçalho da página do Órgão Oficial do Turismo Brasileiro – EMBRATUR, no sítio http://www.braziltour.com/home.html. A Empresa é a responsável pela divulgação do nosso turismo internacionalmente. Eles são nossos embaixadores no campo turístico e representam nosso País nos quatro cantos do mundo. A função da página na internet é servir como cartão de visitas e trás detalhes do que encontrar no País àquele que deseja saber mais sobre o “Produto Brasil” e os “Subprodutos” (Rio, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Recife, etc.). Dentre os ícones acima, e o mais famoso de todos, tem dupla representação em si: O Brasil e a Cidade do Rio de Janeiro: é a imagem do Cristo Redentor, reconhecido no mundo todo como a imagem do Brasil. E o caçula da turma é a torre central da Ponte Otávio Frias de Oliveira ou simplesmente: Ponte Estaiada, na Cidade de São Paulo.
Apesar do alto de nossos 474 anos de fundação e dos diversos títulos – que, ao longo da história, nós nos demos ou que nos foram atribuídos por estudiosos, poetas ou escritores – tais como: Leão do Norte; Veneza Brasileira; Terra do Frevo, da Ciranda e do Maracatu, etc.; de nada serviram para constar no rol dos ícones brasileiros exibidos pela EMBRATUR em sua página oficial.
Culpa de quem? Tenho algumas opções: Creio que poderia ser nossa – que nos vangloriamos de sermos tão culturalmente plurais que nada consegue nos representar com a devida propriedade; Pode ser política – que não decidiu por nós qual seria aquele ou aquela o eleito; Poderia ser pela configuração geográfica da cidade do Recife – dada a sua planície onde o melhor ponto para admirar-lhe é do Alto da Sé, em Olinda; Ou ainda pela absoluta falta de conservação (estrutural e ambiental) de um dos nossos mais belos cartões postais e o diferencial de todas as outras cidades brasileiras: Nossas Pontes e Rios; e por último, e não menos importante, por uma obra que pagamos e, por enquanto, ainda não cumpriu este papel: O festejadíssimo e caro Parque Dona Lindú, obra do renomado Oscar Niemayer.
Seja qual for das escolhas que citei e que você tomou para si, ou se você elegeu alguma outra a qual não citei, não importa. O que importa mesmo é que atualmente Pernambuco não tem este ícone. E falta-nos turisticamente um símbolo que nos represente e que possamos apresentar, e nos alegrar em tê-lo como tal, e que traduza Pernambuco para nós e para os outros, nacional e internacionalmente.
E volto à pergunta-título deste artigo: Onde está o ícone? Creio que a EMBRATUR tomou a nossa frente e o elegeu por nós. Creio que eles basearam-se no estribilho do Hino de Pernambuco: “Salve! ó terra dos altos coqueiros!…”. Você não o viu? Está lá em cima.
Pedro Aníbal de Brito – Turismólogo e estudante de MBA em Marketing

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