Um futuro com Tartarugas Marinhas passa pela conservação – Blog do Turismo PE

Um futuro com Tartarugas Marinhas passa pela conservação

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Projeto Ecoassociados promove o monitoramento de mais de 200 ninhos que formam um espetáculo natural pelo balneário de Porto de Galinhas

Protegidas pelo manto noturno, as fêmeas das quatro espécies de tartarugas marinhas visitam o balneário pernambucano de Porto de Galinhas, entre setembro e abril, arriscando sair das ondas para as areias com a intenção de preparar seus ninhos e botar ovos. Silenciosa, a equipe da ONG Ecoassociados passa as noites monitorando 12 quilômetros de praias para acompanhar o processo e assim, proteger o futuro destes animais.

“Só no ano passado liberamos mais de 45 mil filhotes para o mar. Foram dezenas de aberturas de ninhos e milhares de turistas e moradores que puderam acompanhar esse primeiro desafio imposto pela natureza a elas”, conta Arley Candido, diretor da Ecoassociados, que neste ano já identificou e cercou mais de 200 ninhos para garantir que não sejam atacados por animais domésticos, pisoteados, atropelados por bugs ou danificados inadvertidamente.

A ONG, que conta com apoio da Prefeitura de Ipojuca e a contribuição de empreendimentos da Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas (AHPG), fornece aulas gratuitas de responsabilidade ambiental para centenas de crianças da rede pública de ensino local. A entidade também conscientiza turistas brasileiros e estrangeiros sobre os riscos que o lixo, a caça predatória, a pesca comercial que não respeita períodos de desova e o limite mínimo de distância da praia, entre outras práticas, oferecem para a sobrevivência das tartarugas. O risco de extinção é presente, muito embora milhares nasçam todos os anos. A questão é puramente estatística, já que de cada grupo de mil, apenas uma ou duas chegam à idade adulta.

“Uma tartaruga alcança a maturidade por volta dos 25 anos, quando irá retornar à sua praia de nascimento para desovar. É bastante tempo e, por isso, quando um ninho é destruído ou uma tartaruga é morta por pesca ilegal, lixo confundido com alimento ou por caça predatória, com ela vão várias novas gerações”, explica Candido. Segundo o ativista, o tempo de incubação dos ovos varia de 45 a 60 dias e depende do calor do dia, de forma que em anos mais quentes há maior incidência de nascimento de fêmeas e nos frios, mais machos. “Não há como identificar isso no momento da soltura, mas fazemos estimativas com base em estudos e, inclusive, temos uma mestranda na entidade preparando uma tese sobre o tema”, complementa, orgulhoso.

Com uma equipe de oito pessoas e 16 estagiários entre estudantes de biologia e veterinária, no momento a ONG dá suporte a uma pesquisa sobre desenvolvimento embrionário e a um mapeamento genético com base em amostras retiradas dos filhotes. “Não apenas protegemos ninhos e educamos as pessoas. Também cuidamos de fazer a biometria das fêmeas que vêm à praia, marcamo-las com anilhas, para ajudar na identificação aqui e em outros pontos geográficos do mundo, e ainda conscientizamos os empreendimentos hoteleiros da região sobre a importância de não iluminarem as praias no período noturno. Sem contar que é importante preservarem a vegetação nativa da costa, a chamada restinga de praia”, destaca Candido.

O projeto teve sucesso junto aos hotéis locais e, dessa maneira, garantiu que planejassem a iluminação para não incidir nas praias durante a noite, evitando afugentar ou confundir as mamães tartarugas que precisam desovar. A intenção é ampliar a área de cobertura de monitoramento para 32 quilômetros já em 2015. “Nós não trabalhamos somente com as tartarugas, também temos atividades científicas na preservação de ambiente recifal e espécies nativas de baobás. Nossa maior dificuldade é de financiamento, mas da mesma forma que com o projeto tivemos um salto de 15 para 200 ninhos por ano na região, e criamos outro atrativo turístico para além das praias, a ampliação de nossa atividade só tem a agregar à região e estamos certos de que essa dificuldade será superada”, explica.

Positivo quanto ao futuro da entidade e da conservação das diversas espécies de tartarugas marinhas, Candido finaliza: “Já conheci muitas pessoas que voltam a Porto de Galinhas só com o objetivo de poder acompanhar, novamente, a abertura de ninhos, trazendo amigos, filhos e crianças. Aliás, a meninada adora e fica encantada, da mesma forma que os estrangeiros. Muitos dizem que só este momento já vale a viagem inteira. Para nós, isso é muito gratificante”, conclui.

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