Cineclube CineRua promove sessão comemorativa de 100 anos do Cineteatro do Parque – Blog do Turismo PE

Cineclube CineRua promove sessão comemorativa de 100 anos do Cineteatro do Parque

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Programação conta com sete curtas e apresentações de artistas de rua; objetivo é manter viva a memória do Teatro do Parque 

Fechado para reforma desde 2010, o Cineteatro do Parque é um dos principais espaços culturais da cidade do Recife. No ano de seu centenário, o movimento #CineRuaPE lança um projeto de exibição permanente, promovendo sessões periódicas, até que o cinema-jardim reabra as portas para a população. O objetivo é manter viva a memória deste espaço, trazendo para a Rua do Hospício filmes e atividades de rua que provoquem reflexões e debates sobre formas de ocupar, pensar e viver a cidade.

O Cineclube CineRua é a primeira ação continuada do movimento #CineRuaPE, fundado em  novembro de 2015 no ensejo de reunir esforços, promover atividades, estratégias e a conscientização da importância de se preservar os poucos cinemas de rua que restam no Estado. A abertura da programação será feita pelo palhaço Cabeça de Espantalho. Após a exibição dos curtas e debates haverá show da banda Forró de Cabeça.

Nesta primeira edição serão exibidos sete curtas, três inéditos em Pernambuco. “Ponta do dragão” (SC, 2015), de Renan Fontana; “Ruim é ter que trabalhar” (SP, 2015), de Lincoln Péricles; e “Contínuo” (PB, 2014), de Carlos Ebert e Odécio Antonio. Após a sessão haverá debate com os realizadores Cecília Araújo, Pablo Nóbrega e Odécio Antonio. Além disso, o curta “Miró, preto, pobre, poeta e periférico” (PE, 2008), de Wilson Freire, contará com a presença do próprio Miró, que fará intervenções ao vivo e colocará à venda seu novo trabalho, “Amanhã não existe ainda”, conjunto de 20 poemas avulsos reunidos em um envelope.

Histórico – O Teatro do Parque passou a exibir filmes um mês depois de sua inauguração, em agosto de 1915. Em 1929 foi comprado e modernizado pelo Grupo Severiano Ribeiro, que o reinaugurou no dia 29 de setembro, anunciado como “o mais bello, luxuoso e confortável cinema do norte do Brasil”. Em 23 de março de 1930 promoveu a primeira sessão de cinema sonoro da cidade, com o filme “A divina dama”. O Teatro do Parque já foi também a casa da Orquestra Sinfônica Pernambucana e abrigou por muitos anos o Projeto Seis e Meia. Nos anos 1970 recebeu festivais de cinema Super 8. Em 1975 recebeu a Filmoteca Alberto Cavalcanti, que nunca funcionou efetivamente. O Festival de Vídeo de Pernambuco (atual FestCine) nasceu lá, em 1999. Nos anos 90, sob a programação de Geraldo Pinho, o Cinema do Parque se tornou a sala mais popular do Recife, com sessões a R$ 1 (um real) de filmes nacionais e estrangeiros.

Programação:

Ponta do dragão (SC, 2015), de Renan Fontana, 20’
Ruim é ter que trabalhar (SP, 2015), de Lincoln Péricles, 9’

Êxito D’Rua (PE, 2004), de Cecília Araújo, 15’
A clave dos pregões (PE, 2015), de Pablo Nóbrega 15’
Contínuo (PB, 2014), de Odécio Antonio, 16’ 
A copa do mundo no Recife (PE, 2014), de Kleber Mendonça Filho, 15’

Miró: preto, pobre, poeta e periférico (PE, 2008), de Wilson Freire, 19’

Serviço:

Cineclube CineRua

Apresentador: palhaço Cabeça de Espantalho; após os filmes Miró + Forró de Cabeça

Quando: terça-feira, 15/12, às 18h30,

Onde: em frente ao Teatro do Parque (Rua do Hospício – Boa Vista)

Informações: (81) 99675-6252 / (81) 99617-6008 

Sobre o Teatro do Parque (por Kate Saraiva)

O Teatro do Parque tem uma importância singular para a memória da cultura pernambucana. É o único modelo de teatro-jardim existente no Estado de Pernambuco, e o mais importante no grupo de Teatro-jardim existente na região. A expressão Cine-teatro-jardim aparece na historiografia designando casas de espetáculo que adotavam um partido aberto, com área verde ou pátio interno, adaptando-se ao clima tropical. Um exemplo de teatro-jardim também encontrado no Nordeste é o Teatro José de Alencar, em Fortaleza – CE.

Esse modelo arquitetônico de teatro-jardim, aberto, aproveitando a ventilação natural e comunicando a plateia com a área externa, ajardinada, era muito apropriado ao nosso clima tropical. Sobre o Teatro do Parque, segundo descrição no Diário de Pernambuco, consta que: “O Theatro está situado ao centro de grande área refrescada por frondosos sapotizeiros e aberto em todos os lados, dando-se assim a renovação constante do ar”. No jardim foram plantadas hortênsias que o embelezavam e existiam mesinhas em ferro para o público usufruir de um espaço verde e agradável.

O antigo proprietário, o Comendador Bento Aguiar, tinha a intenção de construir um Parque de diversões nos terrenos de sua propriedade, localizados na Boa Vista. Ele era proprietário dos terrenos que iam da Praça Maciel Pinheiro até a Av. Conde da Boa Vista. Para iniciar o seu empreendimento ele construiu o Hotel do Parque, decorado com as mais finas peças decorativas trazidas da França. Toda a louça veio de Paris e possuía as letras HP gravadas em cada peça.

A segunda parte do empreendimento do Parque de Diversões foi a construção do Teatro do Parque. Os nomes sempre se remetiam ao ‘Parque’, que era o nome do empreendimento ‘Parque de Diversões’. Todas as estruturas em ferro foram encomendadas na Alemanha e vieram de navio para serem montadas no local. A ideia era de construir um Teatro que fosse todo aberto, o mais arejado da capital. Ele poderia funcionar com portas e janelas abertas para receber a ventilação natural. Porém, com o passar dos anos e o adensamento construtivo na área, o teatro que chegou a ser o mais arejado da capital, passou a ser o mais quente. Havia muitas queixas por parte de usuários e frequentadores do teatro.

O formato alongado e estreito da planta na parte de entrada e acesso ao teatro se deu por conta do formato do terreno existente. Nos fundos fica o grande salão e o jardim. O Teatro se comunicava com o Hotel por meio de uma passagem localizada nos fundos do lote. A forma da planta lembra uma ferradura e era bem utilizada nos teatros europeus do século XIX. Para a construção da coberta foi utilizada uma série de tesouras e meias-tesouras do tipo Polonceau, em ferro e a escada de acesso ao balcão também é toda trabalhada em ferro. Na boca de cena são encontradas pinturas de Mário Elliot, que imitam vitrais.

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