Histórias do carnaval do Recife. Leia!!! – Blog do Turismo PE

Histórias do carnaval do Recife. Leia!!!

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 Por João Alberto

Neste chamado Sábado de Zé Pereira, mais de um milhão de pessoas estariam nas ruas do centro da cidade, acompanhando o desfile do Galo da Madrugada. Devido à pandemia do coronavírus, não só o desfile, mas como todos os eventos do carnaval foram suspensos. É hora de recordar os grandes acontecimentos  que faziam do Carnaval do Recife o maior e melhor do mundo (viva a nossa conhecida falta de modéstia!) Durante muitos anos, na minha atividade como colunista social, estive em todas elas. Vale a pena recordar. Para matar a saudade, neste ano em que a folia vai ser de dentro de casa. Com a torcida de que tudo volte em 2022. Não tudo, mas uma boa parte desses acontecimentos, pois alguns despareceram para sempre.

Municipal: Arthur Lima Cavalcanti, que era o vice-prefeito do Recife, junto com Alexandrino Rocha criou o Baile Municipal do Recife em 1961, realizado no Internacional. O prefeito Miguel Arraes, que era no início, contra, prometeu ir ao baile, mas devido à doença da sua esposa, Célia Souza Leão Arraes, não esteve na festa, que foi um estrondoso sucesso. Lula Cardoso Ayres fez a decoração e animação foi da orquestra de Nelson Ferreira. Para dar prestígio nacional à festa – que acabou com muitas páginas nas revistas O Cruzeiro e Manchete – a Prefeitura trouxe, num voo especial da Vasp, nomes famosos como Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, José Condé, Vinicius de Moraes, Nora Nei, Marlene, Jorge Goulart, Luiz Delfino, Lea Garcia, Zélia Hoffman, Lourdes de Oliveira e Tônia Carreiro. Depois de dois anos, o baile se mudou para o Português, mantendo a exigência do traje rigor, black-tie para os homens, longos para as mulheres. No clube luso, colunáveis ficavam nos camarotes, as mulheres dando show de elegância, o povão em baixo. Tinha concurso de fantasias, com comissão julgadora formada por nomes de prestígio na política e na sociedade, além e muitos convidados famosos do eixo Rio-São Paulo. Depois, a festa se mudou para o Classic Hall, abandonou o traje rigor e, mesmo fazendo sucesso, perdeu o glamour, mas com uma vantagem, virou filantrópica, ajudando entidades da cidade.

Bal Masqué: A mais antiga prévia do carnaval do Brasil começou em 1948, idealizada pelo então presidente do Internacional, João Pereira Borges, acatando sugestão do colunista social Altamiro Cunha. Durante muitos anos foi um grande sucesso, primeiro uma semana antes do carnaval, depois com a criação do Municipal, 15 dias antes. Na fase áurea exigia traje rigor e as mulheres tinham que usar vestidos longos. A máscara era obrigatória, mas como acontece hoje na pandemia, muita gente usava apenas para entrar. Trazia muitos convidados do Sul, recordo, por exemplo, de Jorginho Guinle e Marta Rocha. Seu concurso de fantasias, coordenado por Arnaldo Montel, tinha a participação dos mais famosos concorrentes do Municipal do Rio de Janeiro, como Clóvis Bornay, Evandro Castro Lima e Wilza Carla. Num deles, o pernambucano Almir da Paixão ganhou do Jesus Henrique, com a fantasia “Morte e Vida de um Caramujo”, usando muita palha.  O desfilante carioca ficou tão revoltado que não foi receber o prêmio de 2º lugar, um rebu total. Quem também brilhava com suas fantasias, era Múcio Catão. A festa foi definhando e ameaçou terminar, nos anos 90, quando Cadoca Pereira interviu e deu um toque jovem á festa, aproveitando o sucesso do Recifolia, com coordenação de Joseli Lacerda. A festa continuou em outro esquema, abandonou o traje rigor, virou um evento baiano, destruiu a piscina do clube para a construção de Arquibancadas. Nem de perto lembra tradicional festa.

Galo da Madrugada: Começou com um pequeno grupo de amigos do bairro de São José, comandado por Enéas Freire, para tentar reviver os carnavais do passado. Saiu pela primeira vez em 1978, na manhã do sábado de carnaval, com uma orquestra de frevo e 200 participantes, pelas ruas da Concórdia e Nova. Recordo de ter visto este desfile ao lado de Assis Farinha, que era um dos patrocinadores do grupo, com sua Ele-Ela, que ficava no roteiro. Depois o Galo foi crescendo, incrementando trios-elétricos, até ir parar no Livro Guiness de Recordes, como o maior clube de frevos do mundo. Durante muitos anos, fazia o roteiro pela Rua da Concordia, terminando em frente ao Diario de Pernambuco, na Praça da Independência. Depois, passou para a Dantas Barreto, com o roteiro ampliado para dar espaço a dezenas de camarotes. Desde o início, começava com um café da manhã, no Forte das Cinco Pontas. O trio-elétrico que encerrou o desfile do passado tinha a frase na traseira  “Esperamos vocês no dia 13 de janeiro de 2021”. Não foi possível…

Internacional: Durante décadas fez o melhor carnaval de clubes do Recife. Tinha festas de sábado a terça-feira, com matinê infantil na segunda-feira. A festa da terça-feira, só terminava na quarta-feira de cinzas, às cinco da manhã, com a orquestra circulando a praça em frente ao clube, acompanhado dos foliões que resistiam até o minuto final. E eram muitos. Festas eram animadas por duas orquestras, que se revezavam, sem parar. As principais foram as de Nelson Ferreira, José Menezes, Fernando Borges e Guedes Peixoto. E algumas do Sul, como a de Waldyr Calmon, contratado num jantar numa casa de show onde apresentava no Rio, pelo presidente José Sales Filho e o relações públicas Wladimir Meireles. Eu estava na mesa. O clube não tinha camarotes e, claro, as mesas de pista eram as mais disputadas (e caras). A principal costumava receber o governador, o prefeito do Recife, comandantes militares. Muita gente era sócio do clube apenas para brincar o carnaval. Quem não era associado tinha que pagar caro pelo ingresso, era muito difícil conseguir um convite.

Português: O Clube Português fazia um carnaval discreto quando Carlos Costa assumiu a presidência e decidiu concorrer com o Internacional e passou a fazer também grandes festas de carnaval, disputando a liderança com o clube do Benfica, para alegria dos amantes dos grandes bailes. Contratou grandes orquestras, como as de José Menezes e Guedes Peixoto. Quando Alberto Barbosa foi presidente, ampliou os camarotes, que eram poucos e não usados no carnaval. Passaram a ser a área mais disputada e grande atrativo para o sucesso do carnaval. Chegou a ter a Orquestra de Erlon Chaves e um grupo de chacretes. A vesperal infantil era no domingo. A exemplo do Internacional, um dos grandes faturamentos das festas era com a venda de bebidas. Assim, havia rigorosa fiscalização nas portarias, para evitar que as pessoas entrassem com bebidas. Muitas garrafas eram apreendidas.

Sport: O rubro-negro teve grandes festas no seu salão principal. Num deles, por indicação minha, que tinha conhecido a orquestra durante festa em Arcoverde, trouxe a Super Oara. Foi a primeira apresentação no Recife do grupo, que se tornou uma das principais orquestras do Nordeste. Em outra época, quem dominou foi a orquestra comandada por Evaldo Gouveia, que se apresentou por vários anos. Fazia sucesso a crooner Mel, muito mais pela beleza do que pela voz. Além disso, o rubro-negro promovia no domingo e terça-feira manhãs de sol na sua quadra de basquete, eventos digamos pouco republicanas mas que atraiam um grande número de foliões. Era também um grande ponto de paquera.

Náutico: Durante muitos anos, o alvirrubro fez festas de carnaval famosas, com bailes todas as noites, a maioria animados pela Orquestra de Claudionor Germano, grande torcedor do clube. Tinha, ainda, o bloco “Timbu Coroado”, que saia pelas ruas dos Aflitos, que ainda existe, mas sem o brilho de antigamente, quando atraia milhares de foliões, até torcedores do Sport e Santa Cruz.

Caxangá: Fazia o Baile do Zé Pereira, no sábado de carnaval, sempre reunindo nomes colunáveis da cidade, inclusive muitos que nos outros dias iam brincar no Internacional ou Português.

Fantasias de Papel: Um dos mais bonitos eventos do nosso carnaval era o Concurso de Fantasias de Papel no Clube Português. Era uma festa infantil em que o grande destaque era o desfile de fantasias feitas exclusivamente com papel. E eram criações deslumbrantes.

Atlético: Seu Baile dos Casados reinava na tarde da segunda-feira e sempre reunia gente conhecida. Apesar da fama era sempre uma festa tranquila, mesmo com advertência de que os participantes “não podiam levar esposas, noivas, amantes e namoradas”. Nele tive a oportunidade e encontrar quatro governadores de Pernambuco: Nilo Coelho (com sua toalhinha no pescoço e lança perfume, quando era permitido), Jarbas Vasconcelos, Gustavo Krause e Carlos Wilson Campos.

Camarote da Globo: Foi, durante muitos e muitos anos, o espaço mais disputado espaço do desfile do Galo da Madrugada. Ficava na Avenida Dantas Barreto, pertinho da Pracinha do Diário e começou a funcionar quando mudou o roteiro do desfile, que saiu da Rua da Concordia. Reunia mais de mil convidados, com mordomia total, dividido entre uma área externa, com praça da alimentação e um camarote para ver o desfile. Conseguir um convite era algo muito difícil, só conseguia para alguns amigos, graças à amizade com Celso Coli e Yuri Maia Leite.

Cabanga: Sua festa “Carnaval Começa no Cabanga” era a dona absoluta das noites das sextas-feiras, que atraia um enorme público nas suas mesas e camarotes, fazendo jus ao título. O clube também tinha as prévias “Carnaval em Preto e Branco” e “Carnaval em Tecnicolor”, na temporada pré-carnavalesca.

Rodoviário: Competindo com o Cabanga, o Clube Rodoviário, na Avenida Mascarenhas de Moraes também fazia animada festa na noite da sexta-feira, que era local de muita gente que não conseguia ir para o Cabanga, onde era muito difícil conseguir convite e as mesas custavam uma fortuna.

Casa de Alceu: O casarão de Alceu Valença, na Rua Prudente de Morais, no centro histórico de Olinda, foi cenário de inesquecíveis festas, na temporada pré-carnavalesca e nos dias de carnaval, inclusive com a presença de muitos artistas famosos. E durante muitos anos, o cantor puxou o Bloco do Maluco Beleza pelas ladeiras da cidade histórica.

Santa Cruz: O tricolor durante seis anos promoveu festas de carnaval todas as noites, sempre reunindo muita gente. E também fazia a prévia “Carnaval em Vermelho, Preto e Branco.

Baile Dourado: Foi, sem dúvida, uma das mais belas festas que o Recife já viu. No parque aquático do Hotel Quatro Rodas, em Olinda, na época o cenário dos nossos principais eventos sociais, acontecia na sexta-feira de carnaval. Era exigido o traje branco ou dourado e o mundo feminino dava um verdadeiro show de elegância.

Camarote Antarctica: Um grupo de empresários amigos, como Paulo Sérgio Macedo, Severino Mendonça e Assis Farinha criou o primeiro camarote do carnaval do Recife. Ficava na cobertura do Edifício Trianon, no desfile do Galo da Madrugada, que ainda desfilava pela Rua da Concórdia. Chamava-se Camarote Antarctica, para fazer frente ao já famoso Camarote da Brahma, no Rio. Na época, as duas cervejas eram concorrentes, antes de se unirem na Ambev. E claro, a Antarctica adorou e bancou todo o camarote. Mas com uma condição: apenas cerveja, nada de uísque.

Festa do Rei: A Feijoada de Reginaldo Rossi aconteceu durante muitos anos, em vários espaços da cidade. E sempre sendo um enorme sucesso, reunindo muita gente e tendo como principal destaque o show do rei. Digamos que era animação pura. Quem nunca faltava, sempre numa mesa enorme de amigos, era Jarbas Vasconcelos.

Camarote do governador: Ficava na Avenida Guararapes, em frente à agência central dos Correios, no desfile do Galo da Madrugada. Era enorme e reunia convidados do governador. Teve o auge no governo de Jarbas Vasconcelos, folião assumido. Num dos carnavais teve a presença de Dilma Rousseff, na época candidata a presidente. Em alguns anos, a Prefeitura do Recife fez camarote do outro lado, em frente ao antigo Cinema Trianon. Muitos convidados eram obrigados a atravessar a Guararapes, repleta de foliões. O governo do estado chegou a ter um camarote na Dantas Barreto, junto do da Globo, mas durou poucos anos.

No Marco Zero: A Prefeitura do Recife tinha na noite de sexta-feira, na abertura oficial do carnaval do Recife, um camarote no espaço do antigo Terminal Marítimo, que ainda não tinha os restaurantes como hoje. Era enorme e reunia inclusive os convidados que vinham para o Galo da Madrugada, no dia seguinte. Com direito a uma vista privilegiada do show de abertura, sempre abertos por Naná Vasconcelos.

Feijoada da Moda: Durante muitos anos, foi uma das maiores atrações da temporada de carnaval. Organizada por um grupo de empresários da cidade, acontecia na boate do então Recife Palace (hoje  Hotel Gran Mercure), com uma animação enorme, que ia até o início da noite. Uma curiosidade: a festa acaba dando um bom lucro, que era mandado para instituições filantrópicas da cidade.

Iate: Quando tinha sede na Torre – destruída na enchente que atingiu o Recife em 1975- fazia sempre grandes festas no sábado de carnaval, reunindo muitos nomes de destaque na cidade.

Blocos: O desfile dos tradicionais blocos de carnaval, sempre dominou absoluto a segunda-feira de carnaval, com um roteiro que partia da Praça Maciel Pinheiro e tinha como ponto alto a apresentação no Marco Zero e Rua do Bom Jesus. Sempre um belo espetáculo, com as fantasias dos grupos.

Vassourinhas: Quando foi prefeito do Recife, Augusto Lucena decidiu não realizar o Baile Municipal. No seu lugar foi realizado, em 1973 e 1974, no mesmo estilo, o Baile dos Vassourinhas. Depois, o Municipal voltou, quando Geraldo Magalhães Melo assumiu a Prefeitura do Recife.

Papangus: O tradicional desfile dos mascarados de Bezerro ganhou dimensão nacional quando Cadoca Pereira, então secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, trouxe jornalistas dos principais jornais do país para o evento. Na época, fotos do evento foram para a capa do O Globo e Folha de São Paulo. E se tornou um grande point do domingo de carnaval. Passou a reunir uma multidão, que enfrenta até agora um terrível calor. Desde então, todos os governadores estiveram lá.

Havaí: O Country tinha como grande atração na temporada de carnaval, o Baile do Havaí. Em destaque, a decoração tropical e a maioria dos foliões usando camisas coloridas e sarongs. Era um festival de gente bonita.

Recifolia: Criado por Cadoca Pereira, com o apoio do prefeito Jarbas Vasconcelos, dominava a semana pré-carnavalescas, com vários blocos, como o “Balança Rolha”. Tinha concorridos camarotes na Avenida Boa Viagem e desfile com trios elétricos trazendo nomes famosos, especialmente da axê music. Teve um episódio que ganhou manchete nacional, quando um rapaz se passou por filho do dono da Gol Constantino Júnior e circulou pelos camarotes, fazendo o maior sucesso, inclusive entre as garotas. Ganhou naté carona em jatinho para voltar ao Rio. Foi até entrevistado por Amaury Júnior

Parceria: Criado por João Carlos Paes Mendonça, em parceria com fornecedores do Bompreço (cada um patrocinava um trio) foi um estrondoso sucesso por muitos anos, na manhã do domingo que antecedia a semana pré-carnavalesca. Reunia uma multidão na Avenida Boa Viagem, num evento que só terminava no início da noite. Chegou a ter 12 trios, todos com artistas famosos. Num dos anos, reuniu no camarote principal nada menos de cinco governadores do Nordeste e prefeitos de seis capitais. O evento chegou a ser realizado também na Praia de Atalaia, em Aracaju.

Nóis Sofre: Criado por Tarcísio Pereira, o bloco “Nóis Sifre, Mas Nóis Goza!” no dia do Galo da Madrugada, reunia na Rua Sete de Setembro, especialmente políticos e jornalistas, que brincavam muito e tomavam todas…

Siri: O bloco do Siri na Lata começou em Olinda, reunido principalmente políticos e jornalistas. Depois, fez festas no Cais da Alfândega, até Paulo Braz e Ricardo Carvalho assumiram o comando e transformarem a prédia do carnaval do Recife na que reunia maior público, no Clube Português. Foi definhado até acabar.

Aeronáutica: O Clube da Aeronáutica, em Piedade, tinha uma festa que era sempre um enorme sucesso, disputadíssima, o “Mamãe Eu Quero Voar”. O título foi inspirada na famosa marchinha “Mamãe Eu Quero Mamar, de Vicente Paiva e Jararaca, que ficou famosa na voz de Carmem Miranda.

Saudade: O jornalista e historiador Leonardo Silva criou em 1972, o Baile da Saudade, no Clube Português, o Baile da Saudade. As orquestras de José Menezes e Guedes Peixoto executavam apenas músicas do passado. Era uma das mais bonitas e prestigiadas festas do nosso carnaval. Como não tinha experiência em fazer festa, muita gente entrava sem pagar e com falta de patrocinadores, ele não teve como acumular os prejuízos e acabou com a festa, quatro anos depois. Até hoje traz saudades. Capiba não perdia um….

Parceria: Em 2012, Eduardo Campos teve a ideia de unir os três maiores carnavais do país. Convidou Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, e Jaques Wagner, da Bahia, que aceitaram. Ele recebeu os dois colegas num café da manhã no Campo das Princesas, e seguiram juntos (a pé) até o camarote, onde assistiram ao desfile do Galo da Madrugada. No domingo, o pernambucano foi ao carnaval de Salvador e na terça-feira esteve no Sambódromo do Rio. Claro que a parceria rendeu grandes espaços na mídia nacional.

Sala de Justiça: A prévia “Enquanto isso na Sala de Justiça” se transformou num enorme sucesso, com os foliões usando roupas de super heróis. Acontecia no salão de feiras do Centro de Convenções, sempre atraindo uma multidão, num clima de descontração total.

Corso: Relembrando os grandes desfiles de carros de carnavais do passado, o Internacional criou o Corso de Carnaval, reunindo carros antigos, num roteiro da sede no Benfica até o Marco Zero, lembrando foliões fantasiados.

Samba: Vários desfiles de agremiações carnavalescas sempre marcaram o carnaval do Recife. O maior deles, sempre atraindo um enorme público era o das escolas de samba. Foi destaque de um deles, no carro principal, quando a Gigantes do Samba homenageou os 20 anos da minha coluna. Com samba de Belo X, a escola foi campeã, depois de seis anos. Apresentação foi na madrugada da segunda-feira de carnaval, na Avenida Dantas Barreto. Destaque no desfile foi a Ala dos Colunáveis, com um grande grupo da nossa sociedade, que fez “esquente” na sede da concessionária Chevrolet A Fonte, que ficava perto. Outra ala tinha belas garotas de topless, levadas por um amigo que tinha, em Boa Viagem, uma casa de luxo, digamos de garotas alegres. Depois, desfile foi para a Guararapes, está na Avenida Nossa Senhora do Carmo. São praticamente as mesmas escolas há anos, todas passando por dificuldades para desfilar.

Artistas: O Baile dos Artistas foi criado por Marcelo Peixoto e Valdir Coutinho e teve suas primeiras edições na sede do Batutas de São José, no Cais de Santa Rita. Para chegar ao salão foliões tinham que subir uma enorme escada. Recordo da edição em que Helena Pessoa de Queiroz, grande dama da nossa sociedade, foi a homenageada. Depois, a festa se mudou para a nova sede do Batutas, na Rua Cabedelo, em Afogados, quando viveu sua fase de maior sucesso, por muitos anos. Os colunáveis ficavam em camarotes, os foliões no dancing, em baixo. Uma festa cheia de histórias e que histórias. Depois, o baile foi transferido para o Clube Português e foi definhado aos poucos, até acabar. Entre as atrações hilário concurso de fantasias.

Em Olinda: Sílvia Pontual, uma figura que fez muito sucesso na nossa cidade, criou o “Olinda, Frevo e Fantasia”, que era realizado na sede do Clube Atlético de Olinda e teve edições de muito sucesso.

Olinda Beer: Começou em Olinda, organizado por Augusto Acioli, do “Caldeirão”, e logo se transformou num mega evento. Depois ganhou uma enorme estrutura na área externa do Centro de Convenções, reunindo mais de 100 mil pessoas e colocando no palco alguns dos maiores nomes da música brasileira. Como, para citar dois exemplos, Ivete Sangalo e Wesley Safadão. Lembro de ter encontrado lá os governadores Eduardo Campos e Paulo Câmara

Na Torre: Durante três anos, Eduardo Campos comandou um camarote, de domingo a terça-feira de carnaval, na Torre Malakoff, no Recife Antigo, sempre muito prestigiada. Tinha um palco onde se apresentavam artistas locais. Lembro de ter assistido a uma apresentação de Reginaldo Rossi, de quem, aliás, o governador era amigo.

Gala Gay: A boate Misty fez várias edições de uma versão recifense do famoso Gala Gay do Rio de Janeiro, reunindo a turma GLTB. Depois, festa chegou a acontecer na Metrópole.

Camarotes no Galo: Os primeiros camarotes criados no roteiro do Galo da Madrugada foram de Zezo Pessoa; depois se multiplicaram. Alguns enormes e cheios de mordomias. Num deles, Wesley Safadão, que era a atração, deve que usar fantasia de urso, para poder chegar ao espaço, fugindo do assédio dos foliões.

Balmasquezinho: Iniciativa do então presidente do clube Otacílio Venâncio, o Balmasquezinho acontecia no dia seguinte ao Bal Masqué, principal festa do clube. Sempre comandado pelo Palhaço Chocolate, tinha concurso de fantasias infantis. Continua sendo feito, depois de muitos anos.

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