Edison Gonçalves, da Abav-PE: “sofremos muito com os sites de compra coletiva” – Blog do Turismo PE

Edison Gonçalves, da Abav-PE: “sofremos muito com os sites de compra coletiva”

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Edison Gonçalves presidente da Abav-PE

Redação e Edição do DT

Tanto os sites de compra coletiva como as companhias aéreas que oferecem tarifas diferenciadas em seus portais são os grandes entraves para as agências de turismo de Pernambuco, segundo o presidente da Associação das Agências de Viagens de Pernambuco (Abav-Pe), Edison Angelo Gonçalves. Para ele há ‘uma concorrência desleal das aéreas’ . Mas não é só isso. Gonçalves critica também o segmento hoteleiro que, segundo ele, segue os mesmos passos das companhias aéreas, que vende diretamente ao consumidor, passando por cima do agente de viagem. Acompanhe entrevista concedida ao repórter do DIÁRIO, Luís Adorno.
“O segmento que faz parte de uma composição de um pacote está cada vez mais se prostituindo. Estão fazendo o que as principais companhias aéreas estão fazendo hoje: vendendo direto”

DIÁRIO – Quais são os desafios que os agentes de viagens enfrentam, hoje, em Pernambuco?

EDISON GONÇALVESO nosso principal desafio é combater a concorrência desleal com as companhias aéreas. A nossa maior concorrência, hoje, é com as companhias aéreas, que em seus sites dão tarifas diferenciadas, fazendo com que o agente de viagens, para poder vender com a mesma tarifa, tem que colocar a sua comissão.
DIÁRIO – Qual o potencial das agências de viagens do Estado, em relação a emissivo e receptivo?
EDISON GONÇALVES Hoje o internacional, o emissivo, é muito mais forte do que o nacional. No nacional, a gente vem sofrendo muito com os sites de compra coletiva; em muitos desses sites, os hotéis estão anunciando. Quando um hotel anuncia ali é porque ele pode fazer uma margem menor de repasse para esse site, automaticamente, o cliente deixa de ir a uma agência. Então, a agência perde muito com site de compra coletiva. Tanto a Abav Recife, como a Abav Nacional, tem tentado se aproximar dos sites, tentado mostrar que eles não são especialistas em turismo. Eles ainda não entenderam que nós não temos hotéis próprios, não temos avião próprio, não temos trem próprio, tudo é terceirizado e como tudo é de terceiros, nós só temos a nossa comissão, que é 10% ou 15%. E quando você entra num site de compra coletiva, você tem que dar 50% abaixo de um pacote de venda ao público final. Isso é um dos maiores concorrentes, então o segmento que faz parte de uma composição de um pacote, que é a hotelaria, está cada vez mais se prostituindo. Estão fazendo o que as principais companhias aéreas estão fazendo hoje: vendendo direto. A campanha ‘Valorize seu Agente de Viagens’, ‘Compre de uma Agência’, deveria existir há 10 anos, o que não ocorreu por motivos políticos, agora que está sendo implantado. Então, a agência, o agente de viagens, está sendo cada vez mais massacrado por esses mecanismos.
DIÁRIO – Como tem sido a adesão de novas agências de viagens na Abav do Estado?
EDISON GONÇALVES – A adesão é um processo que a gente vem desenvolvendo através de ações. Nós temos em Recife uma feira internacional que se chama MIT (Mostra Internacional de Turismo) que é sempre feita no primeiro semestre – neste ano foi realizada em junho e para o próximo ano será em abril – no nosso Centro de Convenções. Essa feira já está no calendário de Pernambuco. Essa é uma ação em que se consegue manter os associados, o que não é fácil, porque eles sempre esperam que a Abav vai fazer alguma coisa e a Abav tem as suas limitações, não só a Abav Regional, como a Abav Nacional.
DIÁRIO – Mas qual o número de associados hoje?
EDISON GONÇALVES Hoje nós temos 125 associados. Uma das tarefas mais difíceis é quando você chega no topo de alguma coisa é se manter. Manter esse número de associados é uma tarefa difícil, porque você colocar 125 num universo de 200 agências é uma porcentagem que hoje equivale a 80%.
DIÁRIO – Os cursos oferecidos pela Abav Nacional têm sido suficientes na prática?
EDISON GONÇALVESOlha, a Abav Nacional, ou a Abav Regional aqui de Recife, tem se empenhado. Nós vamos pegar uma carona muito boa agora na Copa, porque a Copa quer capacitar os pontos de chegada, ou seja, ela quer capacitar os agentes de viagens, quer capacitar o hoteleiro, ela quer capacitar o pessoal de aeroporto, o pessoal de táxi, restaurantes. De que maneira? Qualificando em idiomas, em cursos, então nós que fazemos parte desse contexto, que é o trade turístico, vamos ser beneficiados. Então, não só o que a Abav faz, o que a Iccabav faz, enfim. A gente vai ser beneficiado por essa proximidade com a Copa.
“O fato dela (Feira das Américas) voltar a ser itinerante é muito bom, porque faz com que os governadores de cada Estado, montem seus incrementos: mobilizar vias de acesso, melhorar seu Centro de Convenções, melhorar a hotelaria”

DIÁRIO – O que o senhor acha da Feira da Abav voltar a ser itinerante?

EDISON GONÇALVESEu acredito que foi uma estratégia muito boa, porque o Rio de Janeiro já estava saturado. Pelo décimo ano da feira no Rio de Janeiro, já existia uma saturação, não existia motivação para o agente de viagens de lá. Ele ia ver o que lá? Ia ver as mesmas coisas, ia se deparar com as mesmas dificuldades de acesso, com as mesmas dificuldades de transporte, então, eu acho que quando se muda, cria uma nova expectativa. Eu acho que São Paulo é um eixo importantíssimo, o Rio de Janeiro também é muito importante, só que o Rio não precisa mais da Abav em si. O evento no Rio de Janeiro pra eles é tanto faz como tanto fez. O Rio de Janeiro por si só se vende. A hotelaria nunca se demonstrou interessada em dar uma tarifa especial para os agentes de viagens. Então essa mudança impacta o Rio de Janeiro, para ele saber que não está sozinho, e São Paulo motiva as pessoas voltarem a ver coisas diferentes. O fato dela voltar a ser itinerante é muito bom, porque faz com que os governadores de cada Estado, montem seus incrementos: mobilizar vias de acesso, melhorar seu Centro de Convenções, melhorar a hotelaria, então quando o Estado tem interesse em atrair um evento como esse, automaticamente, a secretaria de Turismo e os órgãos competentes investem. Quando houve em Recife por três anos no intervalo de 20, a prefeitura investia, o governo investia, o Estado recebia pessoas a nível nacional e internacional, pra gente deixava um legado pós evento; por isso eu acho muito interessante que ela volte a ser itinerante. Será São Paulo, depois talvez Fortaleza, ou Brasília, Recife, outros Estados, isso motiva.
DIÁRIO – Você acha que Pernambuco tem infraestrutura para receber a Feira?
EDISON GONÇALVESNa logística que tem hoje, no patamar que chegou a Feira, ainda não. Não tem Recife, não tem Brasília. A grande maioria dos Estados não está capacitado para receber a Feira na dimensão que ela é no Rio de Janeiro. A dimensão que ela é no Rio é equivalente a de São Paulo, em termos de espaço físico e em termos de hospedagem. Nos outros Estados, eles vão se propor a fazer a mesma coisa, a partir do princípio que estão ampliando. Fortaleza talvez seja a bola da vez. Recife e Brasília não estão capacitados ainda.
Fonte: Diario do Turismo

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