Noite Para os Tambores Silenciosos de Olinda reverencia fé e cultura afro
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A segunda-feira da semana pré-carnavalesca tem um significado todo especial em Olinda por ser o dia não apenas da manifestação da fé como uma louvação à cultura afro e aos ancentrais em um espetáculo emocionante. Trata-se da Noite Para os Tambores Silenciosos, que está na sua 11ª edição. Os grupos saem em cortejo com concentração às 20h nos Quatro Cantos e com destino ao Largo do Rosário dos Homens Pretos, no Bonsucesso. Este ano, a homenagem é para o Babalorixá Pai Edu em memória ao legado do Palácio de Iemanjá (Praça do Alto da Sé, s/n).
São dez maracatus participantes, sendo a cerimônia aberta pelo Maracatu Leão Coroado e dirigida pelo seu Mestre Afonso Aguiar. Do ponto inicial, seguem os maracatus em cortejo pela rua do Amparo para o Largo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
Um espetáculo de raiz, tradicional e histórico, a Noite para os Tambores Silenciosos costuma atrair a curiosidade de gente do mundo inteiro. Durante o cortejo, o público pode aguçar os ouvidos com sons que vão desde o batuque dos tambores até os cânticos. O ponto alto acontece justamente no silêncio respeitoso, que pede a proteção e reverencia a memória dos ancentrais, à meia noite na Igreja do Rosário dos Homens Pretos. No passado, ali os negros tinham liberdade de manifestação da sua religiosidade.
Maracatus de Olinda – 2015
Maracatu Nação Tigre
Maracatu Nação Axé da Lua
Maracatu Badia
Maracatu Nação Pernambuco
Maracatu Nação Camaleão
Maracatu Nação Leão Coroado
Maracatu Nação Maracambuco
Maracatu Estrela de Olinda
Maracatu Nação de Luanda
Convidado
Maracatu Raízes de Pai Adão
Local da apoteose: Pátio do Rosário dos Homens Pretos
Data: 09.02.15
Horário: 20h – 0h, concentração nos Quatro Cantos
Itinerário: Quatro Cantos, Rua do Amparo, Pátio da Igreja do Rosário dos Homens Pretos.
HOMENAGEADO
O Babalorixá Pai Edu, fundador do Palácio de Iemanjá, destaca-se pela sua história religiosa/social e atuação política na resistência do povo de Santo no Brasil. Eduim Barbosa da Silva, olindense de Rio Doce, nasceu em 1 de maio de 1934 em uma família de 15 irmãos. Inicialmente, pensava ser padre, mas sua verdadeira vocação o leva em 1951 para a casa que depois ele reconstrói transformando-a em Palácio de Iemanjá, no Alto da Sé. Iniciado no Candomblé por José Romão Felipe da Costa e Mãe Bernardina do Sítio de Pai Adão, o também Juremeiro, Pai Edu, nos anos 60 consegue fazer o Palácio de Iemanjá um dos centros mais conhecidos no Brasil no que se refere à cultura de matriz afro/indígena/católica brasileira.
Pai Edu na sua luta de resistência a favor do culto e de tradições ajuda a elaborar e promulgar leis como a Edmir Regis que afasta dos cultos a fiscalização policial. Por sua trajetória, torna-se símbolo, referência e agrega valores ao nosso Patrimônio Imaterial como ilustre filho de Olinda que em 2011 encantou-se é pra quem a Noite Para os Tambores Silenciosos de 2015 em Olinda, é dedicada por absoluto merecimento.
Olinda. Alto da Sé. Palácio de Iemanjá.
Fevereiro de 2015.
Juliana Barbosa, Filha de Pai Edu.
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