Portugal: A bola da vez ou o erro de sempre? – Blog do Turismo PE

Portugal: A bola da vez ou o erro de sempre?

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Torre de Belém

No final da década de 80 inicio dos 90 houve em Pernambuco um grande congresso em que foram reunidos os operadores e agentes de viagem de Portugal.  Era a cimeira da APAVT (Associação Portuguesa dos Agentes de Viagem e Turismo), algo que seria equivalente ao nosso Congresso da ABAV – Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (entidades que reúnem as pessoas responsáveis pelas decisões do turismo da iniciativa privada de nossos Países).

 O evento reuniu, naquela época, no Centro de Convenções de Pernambuco, os mais influentes tomadores de decisões do rico, promissor e histórico mercado turístico emissor lusitano. Tanto é que houve um grande “frisson” no estado, pois (guardando-se às devidas proporções para os dias de hoje), tal qual a Copa do Mundo de Futebol aquele grandioso evento gozava da promessa de um “abrir de portas” para o Brasil – especialmente a Pernambuco, estado anfitrião – para aquele mercado emissivo e recém saído de uma ditadura opressora, tal qual nós, numa conjuntura extremamente próspera e que contava como principal vantagem: a proximidade lingüística.

De lá para cá, se montou uma estratégia de manutenção de investimentos em promoção no mercado. E estes foram baseados em números estatísticos divulgados pela EMBRATUR – Órgão Oficial do Turismo Brasileiro – que mostravam a liderança portuguesa no mercado receptivo brasileiro, insuperável por outros países ao redor do mundo. Porém, sempre se contando com um otimismo bem peculiar aos incautos e imprevidentes daqui. E aí a realidade mudou.

As últimas pesquisas disponíveis, que foram editadas de 2004 a 2010 – período entre os governos Jarbas/Eduardo –, mostram que o fluxo de entrada de turistas portugueses vem diminuindo a cada ano, chegando hoje próximo a inacreditáveis 93% de decréscimo acumulado (ver quadro abaixo) na chegada dos nossos confrades a Pernambuco.

Em contrapartida, os investimentos do Estado em ações promocionais de marketing (fáceis pelos mesmos motivos lingüísticos) e que consomem algo na casa das centenas de mil reais anualmente, continuaram os mesmos e até cresceram em determinados momentos em um mercado com relativa desproporcionalidade entre o montante investido e os poucos mil turistas que nos visitam. Prova disso é a insistência na participação realizada nos dias 09 e 10 de abril passados, na Feira do Mundo Abreu.

O problema é que: se segue no estado uma política de mesmice nas ações; incredulidade nas estatísticas; e otimismo desvairado em uma especulativa virada que sempre irá acontecer no próximo ano. E os “reis do dia” davam e ainda hoje dão ouvidos e baseiam suas decisões e ações acreditando em toda e qualquer nota publicada em colunas sociais que esbravejavam em tom de “achismo”, que os “números decresciam” sem lhes mostrar a bússola. E para piorar, aquelas mesmas notas, tratam o turismo não como atividade econômica séria, mas como fofoca de bastidores e com interesses particulares.

Segundo revelam os números, o mercado português já dava há muito tempo, ao bom entendedor de economia e turismo, sinais de desgaste, influenciado também pelas experiências negativas que alguns tiveram com nossos problemas de infraestrutura, os quais foram reprovados por 3 em cada 10 visitantes, traduzido em números no Estudo da Demanda Turística Internacional realizada pela EMBRATUR.

Muito se fala do quanto o turismo pode influenciar ou ser o termômetro da economia de um país. Coincidência ou não, Portugal virou a “bola da vez” na economia européia e mundial. E agora será assistida pelos vizinhos mais ricos e pelo FMI na soma de bilhões de Euros. E para qualquer pesquisa que seja realizada em um mercado, por mais simples que ela seja, eles provavelmente irão dizer que o primeiro item que se exclui do orçamento familiar chama-se: “VIAGEM”. E não será diferente com os nossos primos lusitanos. E para quem entende: chegou a hora de apertar o cinto.

 ENTRADA DE TURISTAS PROTUGUESESNO BRASIL EM PERNAMBUCO DE 2004 A 2010

 

ANO ENT NO BRASIL % ENT EM PE %
2004 334.595 38.821
2005 354.504 5.95 43.891 13.91
2006 227.139 -35.93 31.032 -29.44
2007 278.224 22.94 25.684 -17.23
2008 217.718 -21.75 19.504 -24.06
2009 178.799 -17.88 16.757 -14.08
2010 185.277 3.62 13.196 -21.95
TOTAL -43.49 -92.78

FONTE: ANUARIO ESTATISTICO EMBRATUR 2005/2011

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